Uma união de deuses


Ela era Vénus. Ele era Hércules. Inevitavelmente, havia entre ambos uma forte atração. Todavia esta Vénus não era tão bela como a original, mas era apreciada pela simplicidade de traços na sua pequena face; Hércules também não era tão alto e musculado como o original, mas herdou do seu avô uns estonteantes e sorvedouros olhos cor de céu anil um pouco nublado.
Eles olhavam um para o outro, em segredo, com medo que alguém notasse. Viviam num assombro constante devido ao sentimento que nutriam um pelo outro, mas que não podiam concretizar por causa das suas famílias rivais, religiosamente distintas. Contudo, cada um vivia a sua vida, na esperança de que em alguma ocasião o destino os juntasse.
Dias, noites, semanas e até longos meses advieram. Bastou, porém, um desastroso e oportuno acidente para que Hércules e Vénus se aproximassem e fizessem frente às suas prodigiosas e antigas famílias.
Foi Vénus quem protagonizou o papel de vítima  Hércules, naturalmente, era o herói. Esta força da natureza, a mulher, quando confrontada com três dogues alemães, tornou-se numa indefesa menina com medo. Por acaso, Hércules, que se passeava pelas mesmas ruas que Vénus, ouviu um grande alarido à frente do café Grec-Roman e apressou-se a ver o que acontecia. Vendo Vénus desprotegida, saltou valentemente para diante dela tentando protegê-la, ao invés dos demais que se limitavam a assistir. Hércules, arriscando a própria vida, afugenta as feras. Vénus e Hércules beijam-se agora apaixonadamente, pela primeira vez sem receio de que alguém os observasse, tinham finalmente coragem para prosseguir com o seu amor.
Por fim, os deuses uniram-se, as famílias aceitaram-se e o amor venceu. Demonstrou-se assim que a coragem e a esperança são uma mais-valia para ultrapassar os obstáculos que a vida nos impõe e que basta um momento, um momento só, para mudar tudo.

Ass: A rapariga que tenta ser tudo e não é nada

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